DPS Volvo Penta: uma âncora por satélite e por que ter

Por João Paulo Mantovani Chaves · Unináutica · Atualizado em julho de 2025

Imagine travar o barco exatamente onde ele está — sem âncora, sem cabo, sem marinheiro no comando — e ir tranquilamente preparar as defensas, receber a poita ou abastecer. É exatamente isso que o DPS (Dynamic Positioning System) da Volvo Penta faz. Se você está avaliando um barco novo com motorização Volvo Penta, este é um dos itens que precisa estar na sua lista de especificações antes de assinar qualquer pedido.

Resumo rápido

  • Mantém o barco parado por GPS — sem âncora, sem cabo, sem intervenção constante
  • Ativado com um botão no joystick — desativado da mesma forma
  • Compatível com IPS, rabeta e pé de galinha — qualquer motor Volvo Penta com EVC e joystick
  • Melhor desempenho com IPS — resposta imediata, sem delay
  • Suporta correnteza de até 6 nós — variação de posição inferior a 1 metro
  • Permite ajustes finos de posição sem desativar o sistema (repositioning)
  • Deve ser especificado no barco novo — retrofit em usado depende da versão do EVC
  • Disponível na linha Schaefer 380, 450, 510, 600, 660, 770 e 26M

Neste guia: O que é o DPS · Como funciona · IPS, rabeta e pé de galinha · Para quem vale · Novo vs. usado · Dock Assist · Modelos Schaefer · Perguntas frequentes

O Que é o DPS Volvo Penta

O Dynamic Positioning System (DPS) é uma tecnologia da Volvo Penta que mantém automaticamente a posição e o rumo de uma embarcação usando GPS — sem âncora, sem cabo e sem intervenção constante do piloto. Com um único toque no joystick, o barco fica travado no ponto exato onde estava, resistindo à ação de vento e corrente.

O DPS faz parte do ecossistema eletrônico da Volvo Penta — a mesma plataforma EVC (Electronic Vessel Control) que integra joystick, controle eletrônico dos motores e sistemas de manobra. É compatível com qualquer embarcação que tenha EVC e joystick Volvo Penta instalados, independentemente do tipo de propulsão.

Demonstração real: o episódio do Mar de Amigos foi gravado a bordo de uma Schaefer 510 GT com DPS. Edvaldo, proprietário, conta que a necessidade surgiu de uma viagem a Ilhabela onde precisava atracar em poita sem marinheiro embarcado.

Como Funciona o Sistema

Duas antenas com receptores GPS duplos — instaladas especificamente para o DPS, além do GPS de navegação convencional já existente no barco — fornecem ao sistema informações precisas sobre posição e rumo em tempo real.

O EVC processa esses dados centenas de vezes por segundo e os converte em comandos diretos para ângulo de leme, mudanças de marcha e posição do manete. O resultado: o barco age ativamente contra qualquer força que tente movê-lo — vento, corrente, ondulação — sem que o piloto precise intervir.

Função Como opera
Leitura de posição Duas antenas GPS duplas dedicadas — posição e rumo em tempo real
Processamento Software EVC — centenas de cálculos por segundo
Ação corretiva Comandos automáticos de leme, marcha e manete
Ativação Um botão no joystick
Desativação Mesmo botão ou movimento dos manetes convencionais
Precisão Variação inferior a 1 metro em condições normais
Resistência à corrente Até 6 nós
Repositioning Ajustes finos de posição de até 3 metros por toque — sem desativar o DPS

Compatibilidade: IPS, Rabeta e Pé de Galinha

O DPS funciona com qualquer embarcação que tenha EVC e joystick Volvo Penta — independentemente do tipo de propulsão. A diferença está no nível de eficiência que cada sistema entrega ao DPS.

Sistema de Propulsão Manobrabilidade Resposta do DPS Delay Observação
IPS (inboard) Excelente Imediata Sem delay Melhor aproveitamento do DPS. Propulsores sob o casco oferecem controle vetorial completo
Rabeta (Aquamatic / Sterndrive) Boa Boa Sem delay Excelente controle, resposta menos eficiente que o IPS por limitação de posicionamento dos propulsores
Pé de galinha (eixo + bow/stern thruster) Limitada Menor Com delay Depende da integração entre bow thruster, stern thruster, leme e direção da aceleração — resposta mais lenta e menos precisa
Conclusão prática: o DPS funciona nos três sistemas — mas quem quer o máximo de eficiência e precisão deve priorizar embarcações com motorização IPS. É o sistema que aproveita integralmente o potencial do DPS, com resposta imediata e sem nenhum tipo de delay na correção de posição.

Para Quem o DPS Faz Diferença Real

Situação Sem DPS Com DPS
Atracação em poita — solo Precisa de alguém no comando enquanto passa o cabo Trava o barco, passa o cabo sozinho com calma
Abastecimento sem píer Alguém no manete o tempo todo Ativa o DPS, coloca defensas e abastece sem pressa
Preparação de defensas e cabos Barco à deriva durante a preparação Tempo suficiente para organizar tudo com segurança
Saída de poita sozinho Desamarra e corre para o comando — barco já deriva Ativa DPS, desamarra com calma, guarda tudo, vai embora
Pausa em canal ou espera de eclusa Difícil manter posição manual em corrente DPS mantém cravado enquanto resolve o que precisar
Tripulação reduzida ou navegação solo Qualquer parada operacional exige malabarismo Uma pessoa consegue operar com segurança e sem afobação

DPS em Barco Novo vs. Barco Usado

Esta é a decisão mais importante em relação ao DPS — e precisa ser tomada antes de comprar.

Barco novo: especifique de fábrica

A forma mais eficiente e economicamente racional de ter o DPS é especificá-lo no pedido do barco novo, junto com a motorização Volvo Penta. Instalado de fábrica, o sistema é integrado desde o projeto — posicionamento ideal das antenas, fiação planejada, calibração de fábrica. É a decisão certa para quem já sabe que vai querer o sistema.

Recomendação: se você está comprando um barco novo com motorização Volvo Penta e há qualquer chance de querer o DPS no futuro, especifique agora. Adicionar depois é significativamente mais complexo e custoso do que incluir no pedido original.

Barco usado: depende da versão do EVC

A viabilidade do retrofit do DPS em barcos usados depende diretamente da versão do EVC instalado no motor. Em alguns casos, a atualização de software é suficiente. Em outros, o módulo controlador precisa ser substituído — o que eleva substancialmente o custo e pode tornar a operação economicamente inviável.

A Volvo Penta disponibiliza uma ferramenta online onde o proprietário insere o número de série do motor para verificar qual versão do EVC está instalada e quais upgrades são tecnicamente possíveis. Consulte um técnico autorizado Volvo Penta antes de qualquer decisão sobre retrofit.

Cenário Recomendação Observação
Barco novo com Volvo Penta Especifique de fábrica Integração ideal, menor custo, calibração de fábrica
Barco usado — EVC compatível Consultar técnico autorizado Viabilidade depende da versão do EVC — verificar número de série do motor
Barco usado — EVC incompatível Provavelmente inviável Troca do módulo controlador eleva substancialmente o custo total

Dock Assist: O Sistema Complementar

Em 2021, a Volvo Penta lançou o Dock Assist — sistema que adiciona uma camada de automação à atracação. O piloto indica a direção desejada pelo joystick e o sistema mantém o rumo com precisão durante toda a aproximação, como um piloto automático de atracação.

No exterior, onde as marinas têm sensores instalados nas vagas, o sistema executa a atracação de forma praticamente autônoma — similar ao estacionamento automático de carros modernos. No Brasil, os sensores nas marinas ainda não são padrão, mas a função de auxílio direcional já está disponível independentemente disso.

DPS na Linha Schaefer: Modelos Disponíveis

Os modelos Schaefer Yachts com motorização Volvo Penta podem ser especificados com DPS de fábrica. A linha disponível na Unináutica cobre desde embarcações de 38 pés até superyachts de 26 metros:

Modelo Comprimento Perfil de Uso
Schaefer 380 38 pés Uso intenso em fins de semana, navegação solo ou casal
Schaefer 450 45 pés Entrada da linha fly, ideal para família e convidados
Schaefer 510 GT 51 pés Três suítes, hardtop, o modelo do episódio
Schaefer 600 60 pés Grupos maiores, varandas amplas
Schaefer 660 66 pés Quatro quartos, fly com três ambientes
Schaefer 770 77 pés Layout configurável, varanda de 6,70m
Schaefer 26M 26 metros Superyacht, permanência prolongada e travessias

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Perguntas Frequentes Sobre o DPS Volvo Penta

O que é o DPS da Volvo Penta?

O Dynamic Positioning System mantém automaticamente a posição e o rumo do barco usando GPS duplo, sem âncora ou cabo. Com um toque no joystick, o barco fica travado no ponto desejado, resistindo a vento e corrente. Funciona em qualquer embarcação com EVC e joystick Volvo Penta.

O DPS funciona com rabeta e pé de galinha além do IPS?

Sim. Compatível com IPS, rabeta (Aquamatic/sterndrive) e pé de galinha (eixo com bow/stern thruster). A eficiência varia: IPS oferece a melhor resposta — imediata e sem delay. Rabeta tem boa resposta, menos eficiente que o IPS. Pé de galinha tem controle mais limitado e delay maior por depender da integração entre múltiplos sistemas.

Qual a precisão do DPS Volvo Penta?

Variação inferior a 1 metro em condições normais. Suporta correntezas de até 6 nós. A precisão é maior em embarcações com IPS, que oferece a resposta mais imediata ao sistema.

Para quem vale a pena ter o DPS no barco?

Para quem navega com tripulação reduzida ou solo, frequenta locais com atracação em poita, abastece em postos sem estrutura fixa, ou precisa preparar defensas e cabos sem deixar o barco à deriva. É item essencial em qualquer embarcação com motorização Volvo Penta.

O DPS substitui a âncora?

Não. São complementares. O DPS é âncora eletrônica para paradas operacionais curtas com motor ligado. Para permanência prolongada com motor desligado, a âncora convencional ainda é necessária.

É possível instalar o DPS em barco usado?

Depende da versão do EVC instalado. Em alguns casos a atualização é viável; em outros, exige troca do módulo controlador, o que pode tornar a operação economicamente inviável. A recomendação é especificar no barco novo, de fábrica. Para barcos usados, consulte técnico autorizado Volvo Penta com o número de série do motor.

O que é o Dock Assist da Volvo Penta?

Sistema complementar ao DPS lançado em 2021. Permite mover o barco em linha reta com auxílio do GPS durante a atracação. No Brasil, a função de auxílio direcional já está disponível; a atracação totalmente autônoma depende de sensores nas marinas.

Qual sistema de propulsão aproveita melhor o DPS?

O IPS oferece o melhor aproveitamento: manobrabilidade superior, resposta imediata e sem delay. Rabeta tem boa resposta mas com eficiência menor. Pé de galinha tem controle mais limitado e delay maior, por depender da integração entre bow thruster, stern thruster, leme e direção de aceleração.

Quais lanchas Schaefer são compatíveis com o DPS?

Os modelos Schaefer com motorização Volvo Penta podem ser especificados com DPS de fábrica: 380, 450, 510 GT, 600, 660, 770 e 26M. Consulte a Unináutica para verificar disponibilidade em cada configuração.

O DPS e o Dock Assist são o mesmo sistema?

Não. O DPS mantém o barco parado em um ponto — é a âncora eletrônica. O Dock Assist auxilia a movimentação do barco em linha reta durante a atracação — é o piloto automático de aproximação. São sistemas distintos e complementares, ambos integrados ao joystick Volvo Penta.

Assista à Demonstração ao Vivo

No episódio do Mar de Amigos, mostramos o DPS funcionando na prática a bordo de uma Schaefer 510 GT — com o sistema desativado para mostrar o comportamento natural do barco à deriva, e depois reativado para demonstrar a velocidade de resposta e a precisão de posicionamento.

Referência: CHAVES, João Paulo Mantovani. Âncora por satélite? Conheça o DPS da Volvo Penta. Mar de Amigos — Unináutica, 13 jun. 2024. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_OxkEREJdB0>. Acesso em: julho de 2025.

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